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Família
A harmonia conjugal é uma conquista do casal 06/12/2011
Homem e mulher, diferentes na sua identidade e singularidade, devem construir a harmonia conjugal e esta é uma conquista que surge a partir da diversidade. Chamado à unidade em meio às diferenças individuais, o casal necessita empenhar-se nesta busca que supõe, muitas vezes, a renúncia de si em vista do bem comum do casal e da família. Não retira a individualidade dos dois, mas enriquece-os mutuamente, complementando-os.
A nossa inclinação natural é querer que domine o nosso modo de pensar e o que queremos. Isso é fruto do egoísmo e do egocentrismo, inclinações da nossa humanidade fragilizada pelo pecado original. É o Espírito que, a partir da adesão da vontade humana, constrói a unidade entre o casal, gerando frutos de amor, respeito pelas diferenças, liberdade e espontaneidade, segurança e paz. A seguir, algumas estratégias que podem favorecer a busca da harmonia conjugal.
Os dez mandamentos do casal
Uma equipe de psicólogos e especialistas americanos, que trabalhava em terapia conjugal, elaborou os Dez Mandamentos do Casal. Felipe Aquino faz uma reflexão sobre eles:
1. Nunca irritar-se ao mesmo tempo: A todo custo evitar a explosão. Quanto mais a situação é complicada, mais a calma é necessária. Então, será preciso que um dos dois acione o mecanismo que assegure a calma de ambos diante da situação conflitante. É preciso nos convencer de que, na explosão, nada será feito de bom. Dom Helder Câmara tem um belo pensamento que diz: “Há criaturas que são como a cana, mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura…” Seria muito eficaz usar a doçura para enfrentar os desafios da vida a dois.
2. Nunca gritar um com o outro: A não ser que a casa esteja pegando fogo. Quem tem bons argumentos não precisa gritar. Gritar, muitas vezes, é próprio daquele que na sua insegurança, precisa impor pelos gritos aquilo que não consegue pelos argumentos e pela razão.
3. Se alguém deve ganhar na discussão, deixar que seja o outro: Perder uma discussão pode ser um ato de inteligência e de amor. Dialogar jamais será discutir, pela simples razão de que a discussão pressupõe um vencedor e um derrotado, e no diálogo não. Portanto, se por descuido nosso, o diálogo se transformar em discussão, permita que o outro “vença” para que mais rapidamente ele termine. Discussão no casamento é sinônimo de “guerra”; uma luta inglória. Que vantagem há em se ganhar uma disputa contra aquele que é a nossa própria carne? É preciso que o casal tenha a determinação de não provocar brigas; não podemos nos esquecer que basta uma pequena nuvem para esconder o sol. Às vezes, uma pequena discussão esconde, por muitos dias, o sol da alegria no lar.
4. Se for inevitável chamar a atenção, fazê-lo com amor: A outra parte tem que entender que a crítica tem o objetivo de somar e não de dividir. Só tem sentido a crítica que for construtiva; e essa é amorosa, sem acusações e condenações. Antes de apontarmos um defeito, é sempre aconselhável apresentar duas qualidades do outro. Isso funciona como um anestésico para que se possa fazer o curativo sem dor. E reze pelo outro antes de abordá-lo em um problema difícil. Peça ao Senhor e a Nossa Senhora que preparem o coração dele para receber bem o que você precisa dizer-lhe. Deus é o primeiro interessado na harmonia do casal.
5. Nunca jogar no rosto do outro os erros do passado: A pessoa é sempre maior que seus erros, e ninguém gosta de ser caracterizado por seus defeitos. Toda vez que acusamos a pessoa por seus erros passados, estamos trazendo-os de volta e dificultando que ela se livre deles. Certamente não é isso que queremos para a pessoa amada
Papa Paulo VI, diante da guerra fria e da ameaça de guerra nuclear, avisou o mundo: “A paz impõe-se somente com a paz, pela clemência, pela misericórdia, pela caridade”. Ora, se isto é válido para o mundo encontrar a paz, muito mais é válido para todos os casais viverem bem. Portanto, como ensina Thomás de Kemphis, na Imitação de Cristo, “Primeiro conserva-te em paz, depois poderás pacificar os outros”.
6. A displicência com qualquer pessoa é tolerável, menos com o cônjuge: Na vida a dois, tudo pode e deve ser importante, pois a felicidade nasce das pequenas coisas. A falta de atenção para com o cônjuge é triste na vida do casal e demonstra desprezo para com o outro. Seja atento ao que ele diz, aos seus problemas e aspirações.
7. Nunca ir dormir sem ter chegado a um acordo: Se isso não acontecer, no dia seguinte, o problema poderá ser bem maior. Não se pode deixar acumular problema sobre problema sem solução. Os problemas da vida conjugal são normais e exigem de nós atenção e coragem para enfrentá-los, até que sejam solucionados, com o nosso trabalho e com a graça de Deus. A atitude da avestruz, da fuga, é a pior que existe. Com paz e perseverança busquemos a solução.
8. Pelo menos, uma vez ao dia, dizer ao outro uma palavra carinhosa: Muitos têm reservas enormes de ternura, mas esquecem de expressá-las em voz alta. Não basta amar o outro, é preciso demonstrar esse sentimento também com palavras e especialmente com gestos. Para as mulheres, isso tem um efeito quase mágico. É um tônico que muda completamente o seu estado de ânimo, humor e bem-estar. Muitos homens têm dificuldade neste ponto; alguns por problemas de educação, mas a maioria porque ainda não se deu conta da sua importância.
9. Cometendo um erro, saber admiti-lo e pedir desculpas: Admitir um erro não é humilhação. A pessoa que admite o seu erro é madura e demonstra ser honesta consigo mesma e com o outro. Quando erramos, não temos duas alternativas honestas, apenas uma: reconhecer o erro, pedir perdão e procurar remediar o que fizemos de errado, com o propósito de não repeti-lo. Isso é ser humilde. Agindo assim, mesmo os nossos erros e quedas serão alavancas para o nosso amadurecimento e crescimento. Quando temos a coragem de pedir perdão, vencendo o nosso orgulho, eliminamos quase de vez o motivo do conflito no relacionamento, e a paz retorna aos corações. É nobre pedir perdão!
10. Quando um não quer, dois não brigam: É a sabedoria popular que ensina isso. Será preciso então que alguém tome a iniciativa de quebrar o ciclo pernicioso que leva à briga. Tomar essa iniciativa será sempre um gesto de grandeza, maturidade e amor. E a melhor maneira será “não pôr lenha na fogueira”, isto é, não alimentar a discussão. Muitas vezes, é pelo silêncio de um que a calma retorna ao coração do outro. Outras vezes, será por um abraço carinhoso, ou por uma palavra amiga.
Todos nós temos a necessidade de um “bode expiatório” quando algo adverso nos ocorre. Quase que inconscientemente queremos, como se diz, “pegar alguém para Cristo”, a fim de desabafar as nossas mágoas e tensões. Isso é um mecanismo de compensação psicológica que age em todos nós nas horas amargas, mas é um grande perigo na vida familiar. Quantas e quantas vezes acabam “pagando o pato” pessoas que nada têm a ver com o problema que nos afetou. Às vezes, são os filhos que apanham do pai que chega em casa nervoso e cansado; outras vezes, é a esposa ou o marido que recebe do outro uma enxurrada de lamentações, reclamações e ofensas, sem quase nada ter a ver com o problema em si.
É necessário vigilância nestas horas para não permitir que o “sangue quente nas veias”gere uma série de injustiças com os outros. No serviço, e fora de casa, respeitamos as pessoas, o chefe, a secretária etc.; mas, em casa, onde somos “familiares”, o desrespeito acaba acontecendo. Exatamente onde estão os nossos entes mais queridos, no lar, é ali que, injustamente, descarregamos o stress do dia e as preocupações. Os filhos, a esposa, o esposo, são aqueles que merecem o nosso primeiro amor e tudo de bom que trazemos no coração. Portanto, antes de entrarmos no recinto sagrado do lar, é preciso deixar, lá fora, as mágoas, os problemas e as tensões. Estas, até podem ser tratadas com o cônjuge, buscando-se uma solução para os problemas, mas, com delicadeza, diálogo, fé e otimismo.
O amor é o oxigênio da vida em família
É o amor dos esposos que gera o amor da família e que produz o “alimento” e o “oxigênio” mais importante para os filhos. Na Encíclica Redemptor Hominis, o Papa João Paulo II disse algo marcante: “O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se não o experimenta e se não o torna algo próprio, se nele não participa vivamente” (RH, 10). Sem o amor a família nunca poderá atingir a sua identidade, isto é, ser uma comunidade de pessoas. O amor é mais forte do que a morte e é capaz de superar todos os obstáculos para construir o outro. Assim se expressa o Cântico dos Cânticos: “…o amor é forte como a morte… Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina. As torrentes não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir.” (Ct 8,6-7)
Há alguns casais que dizem que vão se separar porque acabou o amor entre eles. Será verdade? Seria mais coerente dizer que o “verdadeiro” amor não cresceu e não amadureceu; foi queimado pelo sol forte do egoísmo e sufocado pelo amor próprio de cada um. Não seria mais coerente dizer: “Nós matamos o nosso amor?”. O poeta cristão Paul Claudel resumiu de maneira bela a grandeza da vida do casal:
“O amor verdadeiro é dom recíproco que dois seres felizes fazem livremente de si próprios, de tudo o que são e têm. Isto pareceu a Deus algo de tão grande que Ele o tornou sacramento”.
Bibliografia:
AQUINO, Felipe. Família, Santuário da vida. Canção Nova, 2006
Teologia do Matrimônio. Santuário, 2009.
BENTO XVI, Papa. Carta Encíclica: Deus Caritas Est. Paulus, 2009.
PAULO II, Papa João. Encíclica: Sexualidade, Verdade e Significado. Paulinas, 1998.
Catecismo da Igreja Católica. Paulinas, 1998.Divórcio não é única opção para problemas no relacionamento 02/12/2011
Segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de divórcios em 2010 foi o maior desde 1984, chegando a 1,8%, ou seja, 1,8 divórcios para cada mil pessoas de 20 anos ou mais.
O estudo “Estatísticas do Registro Civil” aponta ainda que o aumento se deve à eliminação dos prazos para requerer o divórcio, que antes eram mais demorados, e foram facilitados pelo Divórcio Instantâneo, aprovado em julho de 2010.
O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, Dom João Carlos Petrini, concedeu uma entrevista ao noticias.cancaonova.com sobre o assunto. Para ele, atualmente é “mais fácil e rápido desfazer um matrimônio do que desfazer um contrato com a operadora de telefone”, fato que evidencia como as relações humanas, especialmente asrelações conjugais e familiares, estão sendo banalizadas.
Segundo o bispo, muitos acham que o divórcio é a única solução para o problema no relacionamento, mas na verdade, há muitas soluções para essas dificuldades sem precisar terminar o casamento. Entre as opções está a retomada do carinho e respeito entre o casal, a busca por um amadurecimento do amor e a partilha e apoio de casais ou amigos mais experientes.Confira a entrevista na íntegra
noticias.cancaonova.com: O IBGE divulgou uma pesquisa sobre o aumento do número de divórcios em 2010, provavelmente devido a lei do divórcio instantâneo, aprovado no ano passado. Quais os riscos de uma lei como essa que facilita a separação entre os casais?Dom Petrini: Hoje em dia parece mais fácil e rápido desfazer um matrimônio do que desfazer um contrato com a operadora de telefone! Não somente isto corresponde à sociedade onde tudo deve ser rapidinho para não retirar tempo das coisas consideradas mais importantes, mas é um sinal da banalidade que toma conta das relações humanamente mais significativas, como são as relações conjugais e, de modo mais amplo, familiares, com o perigo de não ponderar de forma adequada as implicações, as consequências da ruptura do vínculo conjugal para si e para os eventuais filhos. As exigências individuais se sobrepõem com relativa facilidade à vida em família.
noticias.cancaonova.com: O senhor acredita que os casais que decidem se separar precipitadamente podem vir a se arrepender dessa atitude?Dom Petrini: Uma separação pode acontecer por muitas razões, inclusive uma paixão que se despertou por outra pessoa e que, inevitavelmente, vai se apagando em pouco tempo, como costuma acontecer com todas as paixões. É necessário dar passos de crescimento para passar do amor vivido de maneira um tanto primitiva, como na adolescência: “eu gosto dela, quero ela para mim” para um patamar mais maduro de amor: “eu gosto dela, estou disposto a doar minha vida para o bem, para a felicidade dela”.
Esta qualidade de amor tem m
ais condições de perdurar no tempo, atravessar tempestades e tornar-se sempre mais fonte de realização e de felicidade. Mas, longe da Igreja e do Evangelho de Jesus Cristo, não conheço outras oportunidades que permitam a um casal crescer e apreender esta maneira de amar.
noticias.cancaonova.com: A Igreja não aconselha o divórcio em nenhuma circunstância?Dom Petrini: A Igreja entende que a separação é a última medida a ser tomada quando, por alguma razão, a continuidade da convivência conjugal põe em perigo a incolumidade física ou a saúde psíquica ou a fé das pessoas envolvid
as, depois de ter esgotado todas as possibilidade em busca de entendimento e conciliação.
Em geral, quem casa deseja que seu amor seja “para sempre”. Faz parte da estrutura humana este desejo de estabilidade e permanência na relação conjugal para partilhar tudo da vida durante a vida inteira. Na realidade, é necessária um grande cuidado párea reconhecer os primeiros e mínimos sinais de distância e de estranheza para que o casal imediatamente procure uma compreensão do problema e uma maneira de superá-lo. Nesse sentido, é importante que o casal peça ajuda a amigos mais experientes ou a uma pessoa de confiança porque é mais difícil que encontrem o caminho de saída do problema apenas entre eles.O casal que participa de uma comunidade cristã, que está familiarizado com a oração, com a leitura da palavra de Deus, que tem amigos em quem confia terá mais facilidade para dar a volta por cima e encontrar-se, depois de atravessado o problema, numa relação mais profunda. O casal mais desligado e solitário tem maiores probabilidades de achar que a única solução ao problema enfrentado é a separação e o divórcio.noticias.cancaonova.com: Quais as orientações da Igreja para os casais que passam por dificuldades no relacionamento?Dom Petrini: Para que quoti
dianamente se renove o afeto que liga os esposos é necessário cultivar não somente a paixão, mas a estima pela outra pessoa, a vontade de partilhar as diversas circunstâncias da vida, numa abertura cheia de atenção para com a outra pessoa, feita de palavras e de atitudes que acolhem, valorizam e reafirmam a alegria por ter casado e a vontade de continuar
unidos, porque considera a união conjugal como um grande bem.
O perigo é considerar estas atitudes desnecessárias, o afeto como um dado óbvio. Então, o relacionamento perde beleza, podendo tornar-se mais duro, pesado e vulgar. É evidente que o casal cristão, que procura crescer na fé e no amor, que busca a luz de Cristo para orientar seus passos e a sabedoria do Evangelho para discernir as diversas situações, que se alimenta de Cristo na Eucaristia, terá muito mais capacidade de construir uma família que não somente dura no tempo, mas que se renova no amor e se torna sempre mais fonte de satisfação e de realização humana.
Por isso, a orientação da Igreja para os casais é: não se isolem, procurem uma comunidade cristã, um movimento católico de modo a cultivar a amizade com Jesus e com as outras pessoas. Na simplicidade da proposta, este é o caminho para um crescimento humano e cristão que ajuda o casal a vivenciar cada circunstância como ocasião para crescer no amor.


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