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Levanta-te e vai, a tua fé lhe salvou! (Lc 17,19) Dia Mundial do Doente
quarta-feira 8 de fevereiro de 2012
Irmãos e Irmãs!
O Dia Mundial do Doente, celebrado na memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, 11 de fevereiro, é marcado pela reflexão e oração, com a finalidade de manifestar a solicitude da Igreja junto aos que sofrem e, no horizonte da fé, a compreensão do valor salvífico do sofrimento. A doença, que não pode ser compreendida como castigo de Deus ou como destino – hoje ou amanhã vamos nos defrontar com a enfermidade, mas como parte da realidade humana, constitui-se num aprendizado que integra a pessoa e a faz compreender a grandeza da vida em toda sua trajetória.
Para o XX Dia Mundial do Doente deste ano de 2012, o Papa Bento XVI apresenta como catequese, para a compreensão do sofrimento, o encontro com os dez leprosos narrado pelo evangelista Lucas (cf. Lc 17, 11-19), onde fé e gratuidade se revelam numa comunhão de amor capaz de restabelecer a alegria de viver com dignidade e liberdade. Diante do pedido de compaixão da parte dos leprosos, Jesus pede apenas para irem e apresentarem-se aos Sacerdotes, que tinham a função de declarar se uma pessoa estava curada ou não, levá-la ao cumprimento dos rituais prescritos pela Lei de Moisés e liberá-la para o convívio social. O pedido de Jesus não deixa de ser uma crítica ao sistema religioso do Templo, que apesar de seu aparato, e não podendo curar os doentes, os condenava a viver na exclusão como malditos por Deus. No caso dos leprosos, todos foram curados, mas um deles, cheio de fé, e ignorando a ordem de Jesus, voltou para agradecer, fato que comoveu Jesus, pois, tratava-se de um estrangeiro (samaritano). Aquele homem não foi apenas curado, mas foi salvo; “ele reconheceu que em Jesus o amor de Deus leva os homens a viver na alegria da gratidão. A vida que Deus dáem Jesus Cristoé gratuita, é graça”. Deus está próximo dos que sofrem, deseja encontrar-se com eles, e a Igreja tem a missão de prolongar no tempo a sua obra salvífica sem jamais esmorecer afirma o Papa. Assim, as Comunidades Cristãs devem ser o reflexo daquele que “passou fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo mal” (cf. At 10,38).
Em sua mensagem, o “Papa chama a atenção para os ‘sacramentos de cura’ ou seja: o Sacramento da Penitência e da Reconciliação, e o Sacramento da Unção dos Enfermos, que encontram seu cumprimento natural na Comunhão Eucarística”.
No Sacramento da Penitência, a restituição da graça de Deus e o retorno da amizade perfeita com Ele, que não veio para condenar, mas para perdoar, salvar e reunir os seus filhos e filhas ao redor de sua mesa, na alegria do perdão e da reconciliação.
No Sacramento da Unção dos Enfermos, o testemunho da primeira comunidade cristã junto aos doentes, aliviando suas dores e suas penas, pela oração e unção com óleo pelos presbíteros, que os recomendava ao Senhor “sofredor e glorificado”, unindo-os espiritualmente à paixão e morte de Cristo para assim contribuírem para o bem do Povo de Deus. O Papa pede a revalorização do Sacramento da Unção dos Enfermos, que não seja considerado “um Sacramento menor”, seja sinal da ternura de Deus por aqueles que sofrem e um benefício espiritual para os sacerdotes e para toda a comunidade cristã. Conduzindo à Eucaristia, os Sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos revigoram a relação com Cristo crucificado e ressuscitado. Quem os recebe, sobretudo, no limite da existência, pode oferecer sua vida por amor a Cristo e assim participar da própria missão da Igreja.
As comunidades cristãs (Católica e outras denominações) são chamadas a compreender o sentido do sofrimento e da cura, não tentando a Deus a ponto de pô-Lo a seu serviço, o que tem acontecido demasiadamente e até de modo mágico. Deus não é ídolo. Sua bondade e misericórdia não podem ser manipuladas e não tem valor de mercado como temos visto em muitos programas religiosos televisivos. O acolhimento na comunidade, a visita ao enfermo no seio de sua família, a assistência pastoral, devem levar a Deus, e não simplesmente ao que Ele pode oferecer. Eis o grande e atual desafio: “se não há milagres, parece que Deus não está presente”. Continua atual a tarefa da Igreja: solidarizar-se com os que sofrem, sem a pretensão de obter “milagres” e ajudá-los a compreender o sentido da vida e do sofrimento.
Na perspectiva da Campanha da Fraternidade deste ano que abordará o tema da saúde pública, presbíteros, ministros e todos os que trabalham no cuidado com os doentes, aprimorem o significado da presença e da missão da Igreja junto a eles: “sinal e instrumento da compaixão de Cristo”.
Maria, mãe de Jesus que ao pé da cruz permaneceu em pé, nos alcance sentimentos de compaixão e sensibilidade para reconhecer a presença de seu Filho amado em todos os que sofrem.
+ Sérgio Aparecido Colombo
Bispo Diocesano
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