16 de janeiro: Há 66 anos Santo Antônio recebia o título de Doutor da Igreja

segunda-feira 16 de janeiro de 2012

santo antonio

 

 

O Papa Pio XII, na Carta Apostólica Exulta Lusitania Felix (Exultai, ó feliz Portugal), concedeu o título de Doutor da Igreja ao grande Santo Antônio de Lisboa em 16 de janeiro de 1946.

Proclamado Doutor Evangélico, sua doutrina deveria ser um farol para iluminar o itinerário espiritual das almas e a santificação da ordem temporal.

Na evangelização das multidões dever-se-ia apresentar a doutrina tradicional da Igreja e a vida dos santos, de modo a despertar nelas a prática salutar desses dois movimentos de alma ensinados por Santo Antônio.

Santo Antônio nasceu em Lisboa, Portugal, dia 13 de setembro de 1195, e morreu com 36 anos, dia 13 de junho de 1231, nas vizinhanças de Pádua, Itália.

Por isso, é chamado Santo Antônio de Lisboa e Santo Antônio de Pádua, um dos santos mais populares da Igreja, ‘o santo do mundo todo’ chamou Leão XIII.

Filho de Martinho de Bulhões e Teresa Taveira, de famílias ilustres, recebeu o nome de Fernando no batismo.

Aos 15 anos, entrou no convento da Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, nas proximidades de Lisboa. Lá ficou dois anos e pediu para ser transferido para o mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, porque eram tantas as visitas de parentes e amigos, que perturbavam sua paz.

Em Coimbra fez filosofia e teologia e foi ordenado padre.

Nesse mosteiro de Coimbra, se hospedaram os frades Franciscanos do convento de Santo Antônio dos Olivais, quando viajavam para converter os muçulmanos em Marrocos, na África.

Pouco tempo depois, os restos mortais desses frades, martirizados em Marrocos, voltaram a Portugal, para o sepultamento desses heróis em Coimbra, onde morava o Rei de Portugal.

 Marrocos

 

Nessa ocasião, ‘Santo Antônio’ sentiu grande desejo de evangelizar Marrocos e imitar os mártires. Por isso, no verão de 1220, entrou para a Ordem dos Franciscanos, mudou seu nome para Antônio, que era o titular do convento franciscano dos Olivais, e foi mandado para Marrocos.

No início de novembro de 1220, Antônio desembarcou em Marrocos, mas terrível enfermidade o reteve na cama todo o inverno e resolveram devolve-lo para Portugal.

O navio de volta a Portugal foi levado pelos ventos para a Itália. Desembarcou na Sicília e se dirigiu para Assis, onde se encontrou pela primeira vez com São Francisco.

Então, participou de um Capítulo Geral da Ordem, que começou a 20 de maio de 1221, em Assis.

Não demorou para se revelar como excelente orador e pregador, em setembro de 1221, fazendo o sermão em Forli, na ordenação sacerdotal de franciscanos e dominicanos. Surpreendeu o Provincial e todos ficaram maravilhados.

Por isso, o Provincial o encarregou da ação apostólica contra os hereges na região da Romanha e no norte da Itália, quando se tornou extraordinário pregador popular.

Em Rimini, os hereges impediam o povo de ir aos seus sermões. Então, apelou para o milagre.

Foi à costa do Adriático e começou pregar aos peixes, que acorreram em multidão, mostrando a cabeça fora da água. Este milagre invadiu a cidade com entusiasmo e os hereges ficaram envergonhados.

 

 Leitor de Teologia

Após alguns anos de frade itinerante, foi nomeado, por carta, por São Francisco, o primeiro ‘Leitor de Teologia’ da Ordem.

Mas, este magistério de teologia para os franciscanos de Bolonha demorou pouco porque o Papa mobilizou todos os pregadores dominicanos e franciscanos para combater a heresia albigense na França.

Por isso, passou três anos, lecionando, pregando e fazendo milagres no sul da França – Montpellier, Toulouse, Lê Puy, Bourges, Arles e Limoges. Como ocupava o cargo de custódio do convento de Limoges, foi para Assis participar do Capítulo Geral da Ordem, convocado por Frei Elias, a 30 de maio de 1227.

Nesse Capítulo foi eleito Provincial da Romanha, cargo que ocupou com êxito até 1230. Em 1229, foi morar com os seus irmãos franciscanos, perto de Pádua, no convento de Arcella, em Camposampiero.

Nesse lugar retirado, a pedido do Cardeal de Óstia, dedicou-se a escrever os sermões das festas dos grandes santos e de todos os domingos do ano.

Mas sempre saia para pregações, por exemplo, durante a Quaresma, até morrer, por uma hidropisia maligna, na sexta-feira, de 13 de junho de 11231.

Foi tanta a repercussão de sua morte e tantos os milagres, que, onze meses após sua morte, foi canonizado pelo Papa Gregório IX.

Em 1263, quando seu corpo foi exumado, sua língua estava intacta e continua intacta até hoje, numa redoma de vidro, na Basílica de Santo Antônio, em Pádua, onde estão seus restos mortais.

 

Padroeiro de Portugal

Mais tarde, em 1934, foi declarado Padroeiro de Portugal.

É invocado como protetor de coisas perdidas, porque em Montpellier, na França, onde lecionava e pregava, um noviço franciscano saiu do convento e roubou seus comentários escritos sobre os salmos.

Ele rezou para que o ladrão lhe devolvesse a preciosa obra. Arrependido, o ladrão voltou e lhe devolveu o livro manuscrito. Daí o fato de ser invocado para encontrar coisas perdidas.

Também, na França, uma senhora de Toulouse, por ter alcança do uma grande graça, por intercessão de Santo Antônio, resolveu levar pães à igreja, para que fossem abençoados e distribuídos aos pobres.

Daí vem a tradição de se abençoar os pães de Santo Antônio, no dia 13 de junho, para se crescer no amor para com os pobres e para se buscar a restituição da saúde a muitos de nossos doentes.

A devoção a Santo Antônio teve desenvolvimento popular surpreendente.

O folclore brasileiro e italiano é rico em alusões ao poder milagroso do santo para casamento e para encontrar coisa perdida.

Em 1981, para celebrar 750 anos da morte de Santo Antônio, foi aberto seu túmulo, Seu esqueleto estava sem carne e muito bem conservado, sem o antebraço esquerdo e o maxilar inferior, tirados para relíquia em séculos passados.