Dom Sérgio recebe titulo de Cidadão Bragantino

quarta-feira 7 de dezembro de 2011

“Não permitais que vos chamem de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos sois irmãos. A ninguém na terra chameis de Pai, pois um só é vosso Pai, o Celeste. Nem permitais que vos chamem de Guias, pois um só é vosso guia, Cristo. Antes, o maior dentre vós será aquele que vos serve”. Citando “Mat 23, 8-11 e chamando todos de irmãos, Dom Sergio Aparecido Colombo, bispo diocesano de Bragança Paulista, agradeceu a Câmara Municipal pelo Título de Cidadão Bragantino recebido em sessão solene do Legislativo realizada na terça-feira (6), mesma data que, há dois anos, ele chegava na cidade. A concessão foi proposta pelo vereador Regis Lemos e contou com a aprovação unânime da Câmara.
Emocionado com vídeo reportagem, apresentado durante a solenidade, que demonstrou sua trajetória, desde a infância até os dias atuais, Dom Sergio relembrou seus propósitos de compreender, partilhar, acolher, organizar, cultivar, não descuidar, confiar, olhar, manifestar e zelar. Ele declarou se sentir feliz na cidade, acolhido e amado. “Não sou merecedor de nada. Tudo o que sou é pela graça de Deus que sou. O título de cidadão bragantino que hoje me é outorgado não está vinculado à realização de algum fato extraordinário de minha parte, mas ao fato de já ser considerado um irmão entre irmãos”.
Como autor da homenagem, o vereador Regis Lemos, deu as boas vindas ao mais novo cidadão bragantino, Dom Sergio. Ao se manifestar, ele fez uma retrospectiva da história da igreja, citou Santo Agostinho ao falar da capacidade de recuperar a interioridade e a dialética do pensamento e cumprimentou o bispo. “É uma honra para a cidade saber que por onde quer que siga Dom Sergio, no cumprimento de sua missão religiosa, ele sempre será um cidadão bragantino”, ressaltou
Presidida pelo vereador João Carlos Carvalho, a sessão contou com a participação de diversas autoridades, entre elas do vice prefeito Luiz Gonzaga Pires Mathias e dos vereadores José Gabriel Cintra Gonçalves e Toninho Monteiro.  Também teve a presença de representantes do clero, da comunidade e do coral da Catedral que foi responsável pela execução do hino do Vaticano e do hino nacional brasileiro.

Veja o discurso completo de Dom Sérgio:

 

Bragança Paulista, 06 de dezembro de 2011.

 

          Cidadania Bragantina

Dom Sérgio Aparecido Colombo

“Sicut qui ministrat” – Lc 22,27

 

“Não permitais que vos chamem de ‘Mestre’, pois um só é o vosso Mestre e todos sois irmãos. A ninguém na terra chameis de ‘Pai’, pois um só é o vosso Pai, o Celeste. Nem permitais que vos chamem de ‘Guias’, pois um só é o vosso guia, Cristo. Antes, o maior dentre vós será aquele que vos serve…” (Mt 23, 8 – 11).

 

Irmãos e Irmãs!

No dia 01 de setembro de 2009, às 10h30, recebi da Nunciatura Apostólica, o comunicado de minha transferência da Diocese de Paranavaí – PR, para a Diocese de Bragança Paulista – SP. Assim se expressou o sr. Núncio Apostólico, Dom Lorenzo Baldisseri, embaixador do Papa no Brasil, por telefone: Caríssimo Dom Sérgio: tenho a satisfação de comunicar-lhe que o Santo Padre Bento XVI nomeou Vossa Excelência Bispo da Diocese de Bragança Paulista, no Estado de São Paulo, sucedendo ao Excelentíssimo Dom José Maria Pinheiro, que apresentou renúncia ao governo pastoral da Diocese em conformidade com o cân. 401.2 do Código de Direito Canônico.

 

Pedi ao sr. Núncio um tempo para refletir e rezar antes de dar a resposta. O sr. Núncio foi claro e pediu que minha reposta fosse rápida e positiva, atendendo ao chamado do Santo Padre para o serviço da Igreja na Diocese de Bragança Paulista. No dia 02 de setembro, confirmei por escrito à Nunciatura o chamado do Santo Padre para exercer o ministério episcopal na Diocese de Bragança Paulista, agradecia a confiança em mim depositada, e pedia as Luzes do Espírito Santo para poder desempenhar na comunhão, com alegria e com zelo apostólico a nova etapa do meu ministério episcopal que se avizinhava.

Acostumado à Diocese de Paranavaí, que já havia dado largos passos na ação evangelizadora e administrativa, teria que me despedir e retomar o caminho de volta para São Paulo. Lembrei-me do Canto: Indo e Vindo, Trevas e Luz. Tudo é graça, Deus nos conduz. No dia 16 de setembro, a notícia que deveria ficar protegida pelo segredo pontifício até a presente data, foi comunicada a toda a Igreja, às 12h em Roma e às 8h aqui no Brasil.

 

Sentimentos de perplexidade e de alegria tomaram conta do meu coração desde o dia em que fui transferido para esta Sé Episcopal. A obediência da Fé, mistério que nos ultrapassa, é que faz compreender e acolher o Projeto de Deus a nosso respeito, para estarmos onde Ele nos quer. Só assim é que seremos felizes. E, posso dizer: estou feliz na Cidade e em toda a Diocese de Bragança Paulista. Sinto-me acolhido e amado. É esta Igreja Particular, como a uma esposa, que amo e por ela não exitarei em consumir os meus dias, sempre como sentinela da esperança e da paz, pés no chão, com minhas possibilidades e limites, vislumbrando sempre novos horizontes.

Reapresento nesta oportunidade, o propósito que fiz desde o dia da minha chegada, 06 de dezembro de 2009, precisamente a 2 anos. Compreender que o episcopado não é honra, mas trabalho e que a obrigação do Bispo, mais que presidir é servir.Partilhar a vida e o ministério com todos os que me forem confiados para que o Reino de Deus anunciado por Jesus seja sempre mais transparente entre nós.Acolher a diversidade social, cultural e religiosa, característica do nosso tempo e aí perceber os apelos do Deus da vida. Organizar a ação evangelizadora da Igreja com a participação de todos (diáconos, presbíteros, religiosos (as), leigos, agentes de pastoral, seminaristas…), explicitando aqui e agora a missão salvífica de Jesus, para a santidade de todo o povo de Deus. Cultivar sempre um modelo de Igreja que seja Casa e Escola de Comunhão como pediu o Beato e sempre amado João Paulo II, Igreja alegre, hospitaleira e misericordiosa. Não descuidar do amor para com os pequenos e pobres. Nas regiões mais difíceis da Diocese, já na periferia de São Paulo, sinto a carência e as urgências das comunidades, mas o grande amor que as move pela causa do Reino de Deus e pela Igreja.                  Confiarsempre na força do Evangelho com uma espiritualidade centrada no Mistério de Cristo e da Igreja, que tem o seu ápice na liturgia, e que é o que sustenta na missão. Olhar a todos com os olhos do Bom Pastor: Adultos, jovens, crianças, anciãos, necessitados e excluídos. É a experiência gratificante que tenho feito ao passar pelas paróquias, sobretudo por ocasião da administração do Sacramento da Crisma e nas visitas pastorais. Manifestar meu apreço pelas autoridades constituídas em nossa Diocese nos poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Nosso relacionamento tem se pautado pelo respeito, reconhecimento das devidas competências e pelo desejo de servir. Desafios que atualmente, mais que em outros tempos nos causam indignação, assim como o desrespeito pela dignidade da pessoa humana, o descaso com a coisa pública e a corrupção em nossa sociedade, que nos últimos tempos tem se elevado a níveis quase insuportáveis, não podem nos desanimar. O bem é maior e sempre vencerá. Precisamos trabalhar para que o bem, conseqüência de tudo o que promove a vida e a defende vença sempre. Muitos são os homens e mulheres de bem em todos os poderes constituídos e em todas as instâncias da sociedade. Zelar pela comunhão afetiva e efetiva com o sucessor do Apóstolo Pedro, o Papa Bento XVI que em seu ministério de Pastor da Igreja – Una, Santa, Católica e Apostólica, no respeito e apreço pelas outras Tradições Cristãs e outras Religiões, mesmo as não cristãs, e aos homens mulheres de boa vontade, tem incansavelmente proclamado que Deus é amor, e que sem referência a Ele não se pode reconhecer no outro, o próximo, imagem e semelhança d’Ele e por isso não perceber o que Ele quer e pode fazer por cada ser humano, o que levará à perda do sentido da vida hoje, e o sentido da vida eterna.

 

Por fim, minha gratidão ao irmão e amigo professor Regis Lemos, membro desta casa de Leis, casa do povo, que ao propor o meu nome para a cidadania bragantina contou com a anuência de todos seus companheiros de trabalho, os nobres vereadores aqui presentes, presididos pelo Sr. João Carlos dos Santos Carvalho.

 

Não sou merecedor de nada. Tudo o que sou, é pela graça de Deus que o sou. O título de cidadão bragantino que hoje me é outorgado não está vinculado à realização de algum fato extraordinário de minha parte, mas ao fato de já ser considerado um irmão entre irmãos, um cidadão com o desejo de servir e colaborar na construção de relações fraternas, com amor e respeito a todos, que é o que realmente conta e que com certeza o motivou e muito me alegra.

 

Aos irmãos e irmãs Bragantinos, de ontem e de hoje ofereço esta honrosa distinção e renovo o meu propósito de estar sempre no meio de todos como aquele que serve. Minha gratidão aos Diáconos, Presbíteros, Religiosos (as), membros das Comunidades de Bragança e de outras localidades da Diocese, distintas autoridades, familiares e amigos por terem vindo.

O que ofereço a todos nesta noite é a minha amizade sincera, acompanhada de orações, e, sobretudo, o meu desejo de ser melhor, fazendo de Jesus Cristo, a razão do meu ser, origem do meu agir e motivo do meu pensar e sentir, como sempre o fiz. Levem todos a minha benção e a de nossa gloriosa padroeira, a Senhora da Conceição que celebraremos no próximo dia 08 de dezembro. Obrigado.

 

+ Sérgio

Bispo Diocesano

“Como aquele que serve”